Outubro de 2026
Em lembrança do artigo de Marie Declercq, O Brasil Trocou os Manicômios Pelos Remédios Psiquiátricos?, via Vice Brasil
O inimigo agora é outro.
O melhor remédio é sempre uma conversa franca sobre um assunto sério do qual nenhuma das partes tem pleno domínio. Afinal, de onde poderiam sair cantos, gritos de guerra e, arrisco-me, gargalhadas?
Em fuga de pensamento, enquanto amigos continuavam com o assunto, voltei a me lembrar do artigo de Marie Declercq, O Brasil Trocou os Manicômios Pelos Remédios Psiquiátricos?, publicado pela Vice Brasil. Na introdução, dizia:
«Mesmo com um dos sistemas públicos mais progressistas na saúde mental, os brasileiros dependem cada vez mais de medicamentos psicotrópicos. O país iniciou sua reforma psiquiátrica no fim dos anos 70, a partir do processo de redemocratização, substituindo a atuação dos hospitais psiquiátricos por outras formas de atendimento a pacientes com transtornos, mas, ainda assim, o uso de substâncias controladas segue crescendo entre a população e não são apenas os adultos.»
Um amigo foi, acredite se quiser, vítima. Vivenciou, em uma comunidade terapêutica, apesar do nome simpático, o céu e o inferno.
“Tem hora pra rezar” e também “Só posso entrar até as 21h. Depois eles trancam o portão” (ou seja, não se pode entrar, mas também não se pode sair) — disse ele em sã consciência, demonstrando certo discernimento, mesmo enclausurado em uma hierarquia social de 74 metros quadrados.
Os direitos humanos têm baixo alcance nessa profundidade, como a luz nas profundezas do mar.